Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

[PT] Foi publicada em 2014 a Norma Portuguesa 4526 que define os serviços prestados pelo arquitecto e pelo arquitecto paisagista na área da construção. Esta norma consiste numa descrição exaustiva de todo o tipo de serviços que os arquitectos podem prestar, desde os que correntemente se incluem no desenvolvimento das diversas fases dos projectos mais correntes - contribuindo simultaneamente para a clarificação da definição dessas mesmas fases - bem como de serviços que os arquitectos estão habilitados a prestar em âmbitos mais específicos.
Ao abordar de modo sistemático o trabalho que os arquitectos podem desenvolver, a Norma NP4526/2014 permite clarificar que serviços efectivamente prestam. Constitui-se assim também como uma ferramenta útil à quantificação do trabalho envolvido quando se fala em "fazer um projecto".
Na ausência de uma tabela de honorários que sirva de referência, tanto a quem presta como a quem paga serviços de arquitectura, a listagem clara e sustentada dos serviços incluídos numa determinada proposta de honorários permite:
- Ao arquitecto, identificar e avaliar o tempo e recursos necessários ao desenvolvimento do projecto em função da quantidade e complexidade dos serviços a prestar;
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Explicitar, também a quem paga pelos serviços, que um projecto não se reduz à elaboração de desenhos implicando geralmente serviços de gestão, de coordenação, produção de elementos de apresentação, serviços esses que implicam pessoas e meios e, como tal, à sua prestação corresponde um pagamento;
-
Definir propostas de honorários claras para todos os intervenientes facilitando o desenvolvimento do trabalho a partir de uma base sólida que permite comparar diferentes níveis na qualidade da prestação dos serviços o financiamento da qualidade através da redução dos custos, leia-se redução das condições de trabalho dos arquitectos.
Na sequência de uma das várias sessões de esclarecimento sobre a NP 4526/ 2014 na OA, seleccionámos os serviços que prestamos e as nossas propostas de honorários apresentam agora uma listagem dos serviços incluídos, ao qual (estimado o tempo e custo associados), corresponde um valor.
Como qualquer orçamento, de uma obra, de um advogado ou de uma oficina.
Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017
[PT] O Código de Contratação Pública veio desincentivar o pagamento da adjudicação na prestação de serviços de projecto. Salvo situações excepcionais, os prestadores de serviços apenas podem facturar o trabalho após a realização e aprovação da fase a facturar. Estando o compromisso firmado por intermédio de um contrato, este procedimento parece razoável. O que não é razoável é que as entidades projectistas continuem a assinar contratos com cauções sobre os seus serviços, ainda que só sejam pagos após a execução, entrega e aprovação de cada uma das fases. Percebendo-se que é um excelente negócio para a banca - são pagos para não prestarem qualquer serviço (não se imagina que alguma entidade accione uma caução depois de ter aprovado a fase de projecto) - este procedimento não trás qualquer vantagem ao contratante e é uma taxa bancária sobre o trabalho do prestador de serviços.
Domingo, 14 de Setembro de 2014

Esta história conta-se assim. Há quase vinte anos, ainda eu e a Andreia andávamos pelas faculdades, sempre que passávamos no Alentejo dávamos um salto a Évora. Se a passagem fosse de poucos minutos, virávamos costas ao património mundial e seguíamos religiosamente ver o que estava a crescer na Malagueira. Com a passagem dos anos a gula imobiliária que massacrou a cidade fez-nos ir perdendo a relação de afecto. Há mais de dez anos que não passava na Malagueira, apesar das viagens pelo imenso Alentejo se terem intensificado.
Contudo, há dias, deparei-me algures com uma pequena fotografia de um anfiteatro ao ar livre em betão, parecidíssimo com o que projectámos e construímos em Rio de Moinhos. Mostrei-o no atelier e a Rita, prontamente, disse-me ser na Malagueira.
Ontem, de passagem para Moura, não pude deixar de ir ver com os meus próprios olhos.
O projecto de Rio de Moinhos foi um parto fácil. Parecia que as soluções já estavam todas na nossa cabeça (lembras-te Verita?).
A minha memória não me permite dizer se já tinha, ou não, estado naquele anfiteatro desenhado por Siza Vieira.
Gosto de acreditar que sim. Gosto de acreditar, como diz a Rita, que ver arquitectura nos abre o léxico de soluções arquitectónicas. Gosto de acreditar que este anfiteatro da Malagueira nos ficou no subconsciente e que nos ajudou a projectar em Rio de Moinhos.
tms, escrito ontem no facebook

Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013

17/09 the guardian
Lisbon Architecture Triennale: strictly no buildings allowed, Oliver Wainwright
18/09 uncube
Zoom in or zone out?, Rob Wilson
19/09 Wallpaper
A tour of 'Close, Closer': the 2013 Lisbon Architecture Triennale, Ellie Stathaki
19/09 Le Monde
Lisbonne, oui ! Mais pas pour la triennale d'architecture, Frédéric Edelmann
19/09 A/N blog
Lisbon Triennale shows curators' push toward tactical engagement, William Menking
20/09 dezeen
Exhibitions are places to be occupied, not just things to be observed, interview Beatrice Galilee
22/09 the guardian
Lisbon Architecture Triennale – review, Rowan Moore
23/09 uncube
The Incessant Medium, Nick Axel
24/09 ABC
De esta manera no, Fredy Massad
25/09 Arquine
Una ecología de la ideología arquitectónica, Nick Axel
25/09 RIBA Journal
Close, but no cigar, Hugh Pearman
27/09 Quaderns
Close Closer, the Perec-esque Triennale, Ethel Baraona Pohl
Domingo, 3 de Fevereiro de 2013

Cinco livros de arquitectura e tanto mais
Há quem diga que a maior diferença entre médicos e arquitectos é que os primeiros enterram os seus erros enquanto que os segundos lhes dão vida. Mas esse é apenas o momento limite em que o erro é irreparável e não será a única diferença entre a profissão que lida com o corpo e a que projecta o espaço em que o corpo vive e se movimenta. Para este escrito sobre livros de arquitectura interessa-nos começar por pensar sobre a forma diferenciada como olhamos e opinamos sobre a medicina e a arquitectura.
Quando nos sentimos mal e para que não nos sintamos mal, procuramos um médico. Na esmagadora maioria dos casos, e ainda que tenha a ver com o nosso corpo, aceitamos a sua opinião sem contestação. A medicina trata do que não vemos, do que temos dificuldade em materializar, do que sentimos que está além da compreensão de quem não estudou medicina.
Um espaço também nos pode provocar doenças, mas é com o médico que normalmente tentamos perceber o que se passa.
Com a arquitectura passa-se o oposto. Na maior parte das vezes, quando temos um problema de arquitectura, tentamos evitar chamar um arquitecto. Todos temos uma opinião ou uma ideia sobre como se poderia melhorar o que está à nossa volta. É algo que podemos, mal ou bem, visualizar e que está dentro da nossa esfera de compreensão e interesse. A capacidade e vontade de todos exerceremos a crítica do espaço que nos circunda, bem como de pensar em alterá-lo, deve ser tida como uma condição inerente à disciplina. Há quem o resuma declarando: a grande arquitectura implica um grande cliente. Mas a relação nem sempre é pacífica.
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(1) Koolhaas, Rem, and Bruce Mau. S, M, L, XL. Koln, Germany: Taschen, 1997 (1995).
(2) Mau, Bruce. “Incomplete Manifesto for Growth.” 1998. http://www.brucemaudesign.com/4817/112450/work/incomplete-manifesto-for-growth.
“3. Process is more important than outcome.
When the outcome drives the process we will only ever go to where we’ve already been. If process drives outcome we may not know where we’re going, but we will know we want to be there.”
(3) Tafuri, Manfredo. Projecto e Utopia. Lisboa (Roma): Editorial Presença, 1985 (1973).
(4) Montaner, Josep Maria, and Zaida Muxí. Arquitectura y Política - Ensayos para mundos alternativos. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2011.
(5) Alves Costa, Alexandre. Introdução Ao Estudo Da História Da Arquitectura Portuguesa – Outros Textos Sobre Arquitectura Portuguesa. Porto: FAUP Publicações, 2007 (1995).
(6) AAVV. Arquitectura Popular Em Portugal. Vol. I e II. 4ª Ed. Lisboa: Centro Editor Livreiro da Ordem dos Arquitectos, 2004 (1961).
Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013

"Cinco livros de arquitectura e tanto mais"
(tms, amanhã no suplemento cultural do DN - QI)
Domingo, 4 de Novembro de 2012

(image by http://klaustoon.wordpress.com/)
[ENG] Ethel Baraona Pohl is one of this friends with whom you don't need to talk much to stay connected. We met her for the first time in 2009 (Barcelona) after changing some tweets, and since then we have always feel surprised by the great work that she and César Reyes share at DPR-Barcelona. Following Tiago's article (English/Italiano) about the "state of the crisis" in Portugal on Domusweb, Ethel has just published a very important look on Spanish crisis (English/Italiano).
P.S. - You may also like to read "Tras el tsunami de la crisis" by Anatxu Zabalbeascoa (in Spanish), published some weeks ago at El Pais.
Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012
Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
In early 2011, a public controversy exploded when Bruce Nussbaum, a well-respected American critic and educator with a solid background in the business perspective on design, wrote a post on FastCompany.com titled Is Humanitarian Design the New Imperialism? Nussbaum did not use incendiary language but on the contrary was rather measured in reporting the "rumblings" (his word) of some Asian and in particular Indian designers, who resented the uninvited generosity of US-based design companies big and small such as Project H (small) or IDEO (big). Some of Nussbaum's scepticism perhaps came from his youthful involvement in the Peace Corps, the historical programme founded by President Kennedy in 1961 that has often been accused of pursuing an imperialistic US agenda disguised as humanitarian support and relief.
[more]
Domingo, 30 de Outubro de 2011

Imagem do filme "Os Índios da Meia Praia" | António da Cunha Telles, Portugal (1976)
[PT] Esta semana não foi notícia a cerimónia de homenagem da Ordem dos Arquitectos a importantes figuras da arquitectura nacional, como Bartolomeu Costa Cabral, Duarte Cabral de Mello, Sérgio Fernandez e Cristina Salvador, entre outros. O acontecimento não contou com a presença de qualquer ministro ou secretário de Estado. Este afastamento tem causas e responsabilidades, mas este não é o espaço para os identificar.
Ao longo dos últimos anos, Portugal tem vindo a ser reconhecido pela capacidade de produzir talentos no futebol. O exemplo máximo são os dois títulos de melhor jogador do mundo atribuídos a Figo e Ronaldo, num resultado global apenas superado pelo Brasil e Zidane.
Em sectores mundialmente competitivos, este registo só é equiparável ao da arquitectura. E Siza e Souto Moura – igualmente distinguidos com o galardão máximo do reconhecimento profissional, o Prémio Pritzker – não são casos isolados! Numa classe profissional invulgarmente jovem, 2/3 têm menos de 40 anos, despontam novos talentos pelo mundo fora. A agressiva política de Estado contra as novas gerações, por intermédio de repetitivas “representações nacionais” ou com os ajustes directos a filhos e afilhados, levou a que seja praticamente impossível exercer a profissão em Portugal. O que, na verdade, é insustentável para o país.
O investimento na formação superior está a produzir capital humano qualificado directamente para outros países. Num momento em que vivemos uma situação social gravíssima, que trará consequências da casa ao território, é fundamental inverter este processo.
Tiago Mota Saraiva no i