[PT] Enquanto esperava para ser um dos primeiros a assinar um contrato para ter uma nova casa de realojamento longe do Bairro da Liberdade, em Lisboa, Raul não tirava os olhos tristes do chão, com receio das lágrimas.
"Nem consigo falar. Estou triste, mesmo triste. É o que posso dizer", disse este morador há 30 anos no Bairro da Liberdade, em Campolide, com a voz embargada.
Sem outra família além dos amigos dos copos no bairro, o funcionário da Refer, de 62 anos, pertence a um dos seis núcleos familiares que receberam hoje das mãos do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, e da vereadora responsável pela habitação, Helena Roseta, uma chave para uma nova casa no Arco da Graça.
"Não são casas no bairro, mas são aquelas que neste momento podemos arranjar", disse Helena Roseta, salientando que ao todo são sessenta as famílias nesta situação e que para breve está prevista a assinatura de mais oito contratos.
"Espero ter o máximo de processos concluídos até ao Natal, mas poderá haver um número muito reduzido de casos que não fiquem resolvidos", considerou.
Devido ao perigo de derrocada iminente das casas na escarpa de Campolide, a autarquia está a arrendar habitações noutros pontos da cidade, com valores entre os 400 e os 700 euros, para as subarrendar a preços suportáveis por estes moradores da Liberdade.
As primeiras demolições das casas em perigo de Campolide deverão começar após a saída das pessoas e demorarão 90 dias.
"A ideia é propor à câmara que aquela zona passe a ser zona verde e que não se possa construir lá", afirmou a vereadora, salientando que nem todos estão a aceitar deixar o bairro por diversas razões.
"Cada caso é um caso. Há pessoas que não querem mesmo sair, outras que não querem uma casa, mas já aceitam outra... Tentamos pôr os vizinhos próximos uns dos outros, mas nem sempre é possível", explicou Helena Roseta.
Na próxima quarta-feira, Helena Roseta vai propor em sessão de câmara que a autarquia delibere a favor do direito de preferência destas pessoas em regressar ao bairro, assim que houver casas da câmara disponíveis.
"Foi um pedido que nos foi feito pelos moradores: o que mais pediam era que pudessem voltar ao bairro", disse a vereadora, explicando que há ali casas municipais que podem vagar.
António, filho do bairro há 48 anos, anima Raul e diz que sai convicto de que vai regressar logo que possível.
A construção de novos fogos no Bairro, no entanto, segundo a vereadora deverá demorar mais de dois anos. Se assim for, quando regressar ao bairro, Raul já deverá estar reformado. "Não vai ser a mesma coisa", afirma, com a chave da nova casa já na mão, mas ainda pouco convencido.
[ionline]




.jpg)
