2 comentários:
De Lapa a 22 de Março de 2008 às 18:48
http://palcopiniao.blogspot.com/search/label/C%C3%82MARA%20MUNICIPAL%20DE%20COIMBRA%20URBANISMO

DIVULGUE ESTE CASO INCRÍVEL DA CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA, NÃO SE CONFORME.

OBRIGADO, COIMBRA AGRADECE!


De pedro a 25 de Março de 2008 às 15:10
Acerca de um post sobre a precária situação dos (jovens) arquitectos

e da «corrente justificativa» para a situação.




Apesar de as conclusões do relatório: «Profissão – arquitecto/a» não apontarem directamente os «dois argumentos» comentados no post, mas por estas ideias estarem de certa maneira subjacentes à interpretação dos resultados e até já presentes na concepção e formulação das perguntas/inquérito, e sobretudo por «tais dizeres» serem aceites (e vinculados) como explicações, fora da comunidade interpretativa, apetece-me traduzir o que tais concepções/explicações ocultam:



A primeira frase seria substituída, a bem da transparência por:



«As Universidades não podem(devem) ensinar o crime.»



A segunda, (não se ofendam os apoiantes da selecção):



«Há país a menos.»





1. Ou seja, mesmos que concordássemos que as universidades deviam ser cursos de formação profissional (capazes de munir os elementos da fábrica-portuguesa dos instrumentos necessários ao aumento da produtividade gerador do plena felicidade empregadora das juventudes «descontantes» para o equilíbrio dos planos das reformas dos futuros reconfortantes), estes novos «programas» teriam (pela lógica imposição da realidade do mercado) conteúdos «pouco didácticos», de contorno da lei. Divirto-me a fazer um programa de curso.



2. O país, tanto na vertente das realidades culturais, como da prática da encomenda por estado e outros poderes ditam a não-necessidade de arquitectura. Foi esta a lógica que (des)caracterizou o país com efeitos que apelam, quase sempre, a uma vontade de implosão. O portfólio do PM é uma apenas uma amostra da pouca exigência (cultural).



É que de tão pouca exigência chegamos, facilmente:

À falta de vergonha.



Claro que podemos cuspir para o chão (português) com orgulho.

Algum turista dirá: «Very typical!»



Por isso o discurso deixa transparecer a ocultação que promove e a sua «inversão» mostra a vestimenta que ele ostenta por não querer mostra o corpo nu.

Porque o polimento que o discurso dá à realidade, não consegue esconder as acções que mutilam o território real.



A conclusões do relatório supracitado são elucidativas quanto à analise dos problemas maiores (dois) levantados pelos arquitectos: «concorrência» e «burocracia».



(1) Só que esta «concorrência» encontra-se nas conclusões do estudo deslocada «para a «oferta excessiva» de arquitectos». Dos quadros inclusos no relatório percebe-se (deve-se ler) que a classe identifica antes de tudo, como principal problema, a prestação/substituição de serviços afins aos seus, por outros profissionais.



(2) a «burocracia» deve ser substituída por: «silêncio da administração», «não cumprimento de prazos legais» e «abuso de poder» sustentado na «inércia da justiça administrativa».

Pergunto: «Isto é para responder em 30 dias?»

A colega responde: « Porquê? Vai-me pôr-me em tribunal?»



Assim, o estudo acerta redondamente em:

«... todos os outros problemas identificados são menores, ou seja, basicamente, são problemas jurisdicionais e organizacionais, ...»

mas se os termos aplicados forem postos em evidência conjuntamente:

«crime organizado»

o que não deixa de ser uma capacidade cultural alargada para lidar com

a falta de rigor

a não exigência

a complacência com «carreiras» tipo PM.



O relatório dá ainda outras pistas, se interrogado?



O não-lugar para os jovens arquitectos e a sua significativa percentagem na profissão não deixarão de ser um sinal (enquistado) do não-lugar para os jovens e o desemprego, cuja solução: parafraseando a análise sectorial do estudo «...cuja solução... só tem podido adiar porque a sua base sócio-económica e as suas redes familiares ainda lhe permitem contornar o actual desequilíbrio entre a oferta e procura...»



A «endogamia» apontada à profissão é marca da condição histórica do arquitecto como artífice, e sobre as condições reais de transmissão de conhecimento. Aliás essas condições de mestres e discípulos foram capazes de criar a ideia de "Escolas" porque de facto criaram-se comunidades interpretativas capazes de transportarem saberes quando a organização era mínima. Interessante é também a comparação da existência ao não de familiares directos com acesso à mesma profissão aludindo-se a médicos e advogados. Porque essa é a pergunta: porque é que não posso receitar chás?

Porque tenho de contratar um advogado para me defender?



Assim, e porque não me lembro o que respondi ao inquérito, digo:



Pertenço aos que já não têm tolerância.



O PREC já acabou e não vou explicar a ninguém o que é arquitectura.

Uma obra terminada é o melhor murro nos olhos para quem ainda quiser ver.

Qualquer desvio do que «vale a pena fazer» faz-nos cair na merda.



As questões geracionais são transversais a toda a sociedade, apenas mais visíveis e estudáveis nesta profissão, a revolução mais próxima (se houvesse) era a que ditava:

«Não há reformas para ninguém!»



(Vou procurar o que o Agostinho propunha para a gente que tem de trabalhar pouco.)


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